"Oh! Bendito o que semeia / livros... livros à mão cheia / e manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / é germe que faz a palma, / é chuva que faz o mar". Castro Alves

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Ironia em Um Homem Célebre

Dizer o contrário daquilo que se pensa de forma intencional e perceptível. Esta é a definição mais usual de ironia. Melhor do que discorrer conceitualmente sobre essa figura de linguagem, é situá-la na obra literária onde encontra morada e razão poética de ser. Este é o caso do conto de Machado de Assis, Um Homem Célebre.
 Um Homem Célebre é um conto de Machado de Assis no qual a densa narrativa do conto apresenta um compositor que se sente impotente perante a impossibilidade de concretizar o seu sonho: compor um grande clássico da música erudita. Por mais que se esforçe, não logra qualquer sucesso. Ao contrário de seu desejo, o seu talento natural é para compor polcas, música popular e destituída do prestígio do meio erudito. Aí não lhe falta criatividade e uma profusão de composições. Por conta disso, Pestana torna-se famoso e rico compositor de polcas.

Pestana não é, apesar de tudo, um homem feliz. Embora as suas músicas sejam famosas o seu sonho é compor uma peça clássica, uma sonata. Ele bem tenta procurar inspiração em Mozart e Beethoven, mas acaba sempre por compor uma polca que acabará por ser um sucesso. O facto de não conseguir alcançar o seu ideal de perfeição deixa-o desequilibrado e a insatisfação que sente é de tal ordem que o leva à falência e ele vê-se obrigado a vender os seus bens para pagar as dívidas.  

Por uma cruel ironia do destino, a "natureza" lhe dotou de um talento para as polcas e não para as sonatas. Sem alcançar o prestígio dos imortais da música clássica, Pestana morre "bem com os homens e mal consigo mesmo".

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